Por que estou repensando o marketing digital?
- Matheus Contador Soares
- May 13, 2025
- 1 min read
Tenho repensado profundamente a forma como ensino marketing digital. Por anos, repeti fórmulas, estratégias e métricas como se fossem verdades absolutas. Mas, ao observar os efeitos da hiperconectividade — especialmente entre os mais jovens — percebo que algo essencial está se perdendo: a consciência crítica.
O marketing digital atual é, muitas vezes, superficial. Foca em "hacks", viralizações e algoritmos, mas ignora o ser humano por trás da tela. Ensina-se a manipular métricas, mas não a refletir sobre o impacto psicológico da comunicação. A lógica do "crescimento a qualquer custo" desconsidera os danos emocionais gerados por esse ecossistema: ansiedade por performance, comparação incessante, cansaço crônico e uma produção de conteúdo cada vez mais vazia de propósito.
Um artigo recente sobre a Geração Alfa — crianças e adolescentes imersos no digital desde o nascimento — evidencia o problema. Segundo Sepulveda, Alves e Gonçalves (2024), a hiperconectividade está diretamente associada a quadros de depressão, déficit de atenção e dificuldade nas interações sociais. Essa geração, formada desde cedo sob estímulos digitais, sofre com a escassez de conexões humanas reais — e parte dessa realidade é moldada pelas práticas que o marketing atual estimula e reproduz.
Ainda não tenho todas as respostas, mas sinto um chamado: precisamos tratar o marketing de outro jeito. Um marketing que respeite o tempo, o silêncio e o outro. Que forme comunicadores e estrategistas com ética, não apenas otimizadores de cliques.
Este é apenas o início de uma jornada — uma revisão sincera sobre como comunicar, ensinar e criar com mais verdade, presença e humanidade.



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