O pós-romantismo da influência: por que tantos criadores estão voltando à CLT
- Matheus Contador Soares
- Nov 13, 2025
- 2 min read
Durante anos, a imagem do influenciador digital foi pintada com as cores da liberdade. Trabalhar de onde quiser, fazer o próprio horário, viver de criatividade e ser dono do próprio destino. Parecia o sonho moderno. Mas, como todo sonho vendido em parcelas de engajamento, a fatura chegou. O que era sinônimo de sucesso e autonomia se transformou, para muitos, em ansiedade, instabilidade e solidão. E é por isso que cada vez mais criadores estão voltando para a boa e velha CLT.
A verdade é que o modelo de “liberdade total” das redes nunca foi tão livre assim. Viver de algoritmo é viver refém de algo que muda todos os dias, e sem aviso prévio. Muitos criadores começaram a perceber que não existe real independência quando seu sustento depende de curtidas, visualizações e métricas que você não controla. Nesse sentido, voltar para um emprego formal não é retroceder, mas reconectar-se com uma estrutura que oferece estabilidade, rotina e, principalmente, pertencimento.
O modelo baseado em engajamento constante cobra um preço alto. É o tipo de trabalho em que o descanso vira culpa e o silêncio é castigo. A ansiedade cresce na mesma proporção que os números do feed. As plataformas transformaram o que antes era expressão pessoal em uma corrida por relevância. O resultado é o esgotamento de uma geração que confundiu liberdade com disponibilidade total.
O mito da liberdade empreendedora digital também desaba quando a realidade mostra o outro lado, como a falta de previsibilidade financeira, de direitos e de pausas. É a autonomia travestida de precarização. Muitos criadores descobriram que, na prática, trabalham para o algoritmo e não para si mesmos. Quando o trabalho vira performance constante, até o prazer em criar se perde.
Voltar à CLT, nesse contexto, parece mais um gesto de maturidade do que de desistência. É reconhecer limites, escolher saúde mental, priorizar o equilíbrio. É entender que rotina e segurança também podem ser liberdade. Essa reconciliação com a estrutura é, na verdade, um reencontro com a humanidade que o digital tem drenado aos poucos.
Esse movimento também revela algo importante sobre a nova geração, a Geração Z não quer apenas propósito, quer também segurança. Está em busca de sentido, mas sem abrir mão da paz.



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