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O Marketing e a Indústria Cultural: Uma Reflexão Crítica

  • Writer: Matheus Contador Soares
    Matheus Contador Soares
  • Mar 31, 2025
  • 2 min read

A relação entre marketing e indústria cultural é um dos pilares da sociedade de consumo atual. Baseando-se nos conceitos de Walter Benjamin e da Escola de Frankfurt, podemos compreender como o marketing contemporâneo molda não apenas as decisões de compra, mas também a forma como a cultura é produzida, distribuída e consumida.

Walter Benjamin, em "A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica", analisa a perda da "aura" das obras de arte devido à sua reprodução em massa. No marketing, isso se traduz na padronização da experiência do consumidor. As marcas buscam criar um senso de exclusividade e autenticidade em seus produtos, mas, paradoxalmente, os tornam acessíveis a todos, esvaziando seu valor simbólico original.

Já Adorno e Horkheimer, na obra "Indústria Cultural: Iluminismo como mistificação das massas", argumentam que a cultura passou a ser tratada como mercadoria, direcionada à manutenção do status quo e à maximização do lucro. O marketing contemporâneo reflete essa lógica ao transformar experiências genuínas em estratégias de venda. A necessidade de se destacar no mercado exige que marcas criem narrativas envolventes, muitas vezes simulando autenticidade, mas que, no fim, reforçam padrões pré-estabelecidos.

A propaganda, segundo Adorno, já não busca apenas informar, mas consolidar o domínio do sistema, criando um “pseudo mercado” onde só os grandes competidores têm espaço. No ambiente digital, esse fenômeno se amplifica. A segmentação e a personalização do marketing digital fazem com que as empresas reforcem padrões de consumo previsíveis, limitando a diversidade cultural e impondo tendências de maneira quase imperceptível.

Dessa forma, enquanto o marketing pode ser uma ferramenta poderosa para conexão com o público, ele também precisa ser analisado criticamente. É necessário que as marcas assumam um papel mais responsável, promovendo inovação sem cair na reprodução mecânica da cultura, incentivando o pensamento crítico e a diversidade no consumo e na comunicação.


 
 
 

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