Educar Humanos: A Falência do Modelo Escolar e a Programação das Redes Sociais
- Matheus Contador Soares
- Apr 25, 2025
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A escola tradicional acaba por não resolver os anseios da humanidade, pelo simples fato de não suportar humanos. Mesmo antes da internet, cria robôs. Agora, com o mundo digital (tendo a possibilidade de reorganizar o ensino), ainda há a crença de que podemos programar a educação, os professores e os estudantes.

Como destaca António Nóvoa (2022), a escola nasceu e se consolidou num modelo do século XIX, baseado em normalizações e padronizações — carteiras enfileiradas, professores como transmissores de conteúdo, currículos rígidos. Com o avanço do digital, há um “futurismo da educação” que acredita na substituição dos professores por dispositivos e na personalização extrema da aprendizagem. Porém, Nóvoa adverte: a escola não pode ser um espaço de separação e isolamento, e sim de convivência e construção do comum.
Esse debate, que à primeira vista parece restrito à educação formal, transpassa para a vivência nas redes sociais. Assim como a escola tradicional tenta formatar o humano, as redes sociais nos programam a curtir, comentar e compartilhar apenas o que é previamente definido. Seguimos algoritmos como seguimos horários escolares. Como buscar conhecimento ou viver experiências significativas se não somos humanos o bastante, se nos deixamos formatar?
O autor nos convida a imaginar uma metamorfose da escola, e talvez devêssemos imaginar uma metamorfose das redes. A escola precisa ser mais do que a vida limitada que conhecemos — ela deve nos abrir para novas realidades. Assim também devem ser as mídias: espaços de encontro, reflexão e formação crítica. Não para nos programar, mas para nos humanizar.
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