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Ele perdeu a bolsa na faculdade por causa das Bets! E nós com isso?

  • Writer: Matheus Contador Soares
    Matheus Contador Soares
  • Aug 6
  • 2 min read

Um estudante de Campinas passou quase três anos se preparando para entrar na faculdade. Foi pré-selecionado para Psicologia, com bolsa integral do Prouni, pela nota do Enem. Perdeu tudo, porque as movimentações financeiras da mãe em plataformas de apostas foram lidas como renda familiar. Ele diz que não era ganho, era ludopatia. A universidade diz que, por lei, prêmio é renda. Os dois podem estar certos ao mesmo tempo, e é exatamente aí que mora o problema que o Brasil inteiro está evitando encarar.


As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025. Pesquisas do Datafolha, Quaest e Ipsos-Ipec mostram que 57% da população já enxerga as apostas como vício, 29% apostam com frequência, e 68% defendem a proibição de patrocínio esportivo do setor por causa dos danos sociais e dos riscos de manipulação. Não são números pequenos, nem opinião isolada, mas é o retrato de um país inteiro reconhecendo um problema que continua crescendo mesmo assim.


O futebol carrega o nome das bets no peito, nos painéis do estádio, nas transmissões. Influenciadores vendem apostas como estilo de vida, mostram o ganho e escondem a estatística. O incentivo vem embrulhado em entretenimento, e isso reduz a percepção de risco justamente em quem tem menos repertório pra reconhecer o perigo: os mais jovens, os mais vulneráveis, os que têm menos rede de segurança para absorver a perda.


E aqui vai a pergunta que ninguém quer se fazer: viciado é sempre o filho do vizinho, o nosso tem — apenas — más companhias... será mesmo? Será que não podemos olhar pras nossas vidas, nossas casas e nossos vícios, e ver se isso é, mesmo, uma diversão? E será que não podemos parar de desejar e vender ao próximo aquilo que só venderíamos para os nossos filhos?


A resposta não está em julgar quem aposta ou quem tenta sobreviver. Está em enxergar a engrenagem e decidir se ainda queremos fazer parte dela calados.


Matheus Felipe é professor universitário de comunicação.


ASSISTA O VÍDEO COMPLETO ABAIXO:


 
 
 

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