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Coach: entre o profissional sério e a promessa vazia

  • Writer: Matheus Contador Soares
    Matheus Contador Soares
  • 13 minutes ago
  • 2 min read

Existe uma pergunta incômoda que quase ninguém faz antes de pagar por um curso de coaching: quem regula isso? A resposta é ninguém. Em nenhum país do mundo, até hoje, existe lei que regule quem pode se autodenominar coach. Sem exigência de formação mínima, sem carga horária obrigatória, sem órgão fiscalizador. No Brasil, cerca de 70 mil pessoas atuam sob esse título, segundo a ICF - a maior associação global do setor.


E o mercado não é pequeno. Movimenta bilhões de dólares no mundo. Ex-coaches que hoje são figuras públicas já cobraram valores de milhares de reais só para assistir a um jogo de futebol ao lado do “mentor”, vendendo a proximidade como parte do produto. E o que mais preocupa: crianças de 13 anos já afirmam publicamente ganhar mais do que médicos, vendendo curso sobre como vender curso - o que já levantou alerta de entidades jurídicas sobre possível trabalho infantil disfarçado de empreendedorismo.


Essa lógica não ficou restrita ao mercado. Infiltrou-se nas escolas, romantizando resultado individual acima do tempo real de aprendizado. Infiltrou-se até nos púlpitos, misturando discurso de  com promessa de prosperidade financeira. E, convenientemente, o dado que mais faltaria para julgar tudo isso - quantas pessoas realmente alcançam o resultado prometido - é o que menos se divulga.


Não estou dizendo que todo coach é picareta. Existe trabalho sério, com metodologia, ética e resultado real. O problema não é a existência do coaching, mas a ausência de qualquer critério que separe quem entrega de quem só promete. E o efeito colateral mais perigoso disso é o desmerecimento de profissões que exigem anos de formação, prova técnica e responsabilidade - como professores e profissionais da saúde - diante da ideia de que um discurso motivacional resolve o que só o estudo e a prática constroem.


A pergunta que fica não é “coach funciona?”. Mas: fazer e falar, ou só falar? Resultado real e possível, ou promessa inviável?


Matheus Felipe é professor universitário de comunicação.


ASSISTA O VÍDEO COMPLETO ABAIXO:


 
 
 

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