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Cultura do Cancelamento: Ninguém Te Explicou Isso Direito

  • Writer: Matheus Contador Soares
    Matheus Contador Soares
  • Jul 28
  • 2 min read

Vivemos a era em que qualquer pessoa pode ser julgada, condenada e “executada” socialmente em questão de horas — sem processo, sem defesa, sem direito a réplica. Chamamos isso de cancelamento, e insistimos em tratá-lo como um fenômeno único, quando na verdade ele é dois fenômenos distintos disfarçados de um só.


O primeiro é legítimo e, historicamente, necessário. As redes sociais deram voz a grupos que antes não tinham nenhum canal para denunciar abusos, injustiças e violências reais. Quando a mobilização coletiva expõe um crime, uma conduta abusiva comprovada ou um padrão de dano real, ela cumpre uma função que nem sempre as instituições cumprem a tempo: responsabilizar quem tem poder e historicamente escapava disso.


O segundo fenômeno é bem diferente, e é aqui que mora o perigo: o mesmo mecanismo que empodera vítimas também empodera a violência coletiva. Uma fala mal interpretada, um contexto ignorado, uma vida inteira reduzida a quinze segundos de vídeo — e de repente a mesma ferramenta que serviria à justiça se transforma em linchamento moral, ameaça e destruição desproporcional de uma pessoa.


O problema é que, na velocidade da internet, quase ninguém para para diferenciar um caso do outro antes de reagir. E é exatamente essa distinção que deveria nos importar mais do que estar “a favor” ou “contra” o cancelamento como conceito abstrato.

Proponho um critério simples para essa distinção: existe dano real e verificável, ou apenas uma interpretação? A resposta é proporcional ao fato, ou já ultrapassou para ameaça e exposição da vida privada? Existe espaço para reparação, ou o único objetivo é destruir?


Como professor de comunicação, meu papel não é dizer a você o que pensar sobre cada caso específico — é te dar ferramentas para pensar melhor sobre todos eles. Porque a pergunta que realmente importa não é “cancelamento é certo ou errado?”. É: “neste caso específico, estamos fazendo justiça ou estamos praticando violência com roupa de justiça?”


Matheus Felipe é professor universitário de comunicação.


ASSISTA O VÍDEO COMPLETO ABAIXO:


 
 
 

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